Uso da Neuromodulação no Tratamento das Doenças

A Neuromodulação é hoje uma das mais excitantes e dinâmicas áreas do conhecimento médico. A sua ação se dá por meio da modulação do sistema nervoso por estímulos elétricos e agentes farmacológicos em alvos neurológicos específicos. Muitas doenças produzem alterações estruturais e bioquímicas permanentes, causando disfunção do sistema nervoso, como as síndromes de dor crônica, espasticidade, distúrbios do movimento (Doença de Parkinson), epilepsia e transtornos psiquiátricos – essas são algumas das patologias mais frequentemente tratadas pelos métodos de neuromodulação.
Os primeiros relatos do uso da neuromodulação datam da antiguidade, quando.os antigos egípcios utilizavam corrente elétrica do peixe-gato do Nilo para o tratamento de dor. No século XVIII a corrente elétrica foi utilizada por Benjamin Franklin para o tratamento de dor lombar e gota .

A era moderna da neuromodulação começou nos anos 1960, com a estimulação da medula espinhal para o tratamento da dor refratária. Atualmente a Neuromodulação emprega tecnologias avançadas para aumentar ou suprimir a atividade do sistema nervoso em diferentes doenças. Estas tecnologias incluem dispositivos implantáveis e não-implantáveis, que, através de estímulos químicos e eléctricos, modificam reversivelmente a atividade das células nervosas no cérebro, medula e nervos periféricos.

As terapias de neuromodulação são:

•Altamente direcionadas para áreas específicas do cérebro ou da medula espinal, ao contrário das terapias sistêmicas como os tratamentos farmacológicos convencionais;

•Altamente reversível, permitindo que o tratamento seja imediatamente interrompido com a remoção do dispositivo de estimulação.

As aplicações práticas da neuromodulação são muito diversas e incluem:

1- Tratamento da dor crônica de difícil controle: O tratamento da dor crônica refratária é a indicação mais comum, sendo a dor neuropática, em particular, a mais frequente. Pacientes com dor em colunas cervical, torácia e lombar, dor em membros e dor oncológica intratável são candidatos ao uso da neuromodulação. A estimulação da medula espinhal é a modalidade mais comum, mas também podemos utilizar a estimulação de nervos periféricos e mesmo a estimulação cerebral em casos mais extremos de dor. Além da estimulação elétrica, podem ser necessários o implante de sistemas que infundem medicações (por exemplo: morfina) diretamente na medula espinhal ou no espaço liquórico, otimizando o tratamento.

2- Tratamento dos distúrbios do movimento: o uso da estimulação cerebral profunda para o tratamento da Doença de Parkinson é uma terapia reversível já bem estabelecida na literatura médica, com excelente resposta quando corretamente indicada. A neuromodulação também é altamente eficaz na terapêutica do tremor essencial intratável clinicamente e das distonias motoras.

3- Tratamento da espasticidade: infusão de baclofeno no espaço liquórico é uma terapêutica segura, eficaz e reversível nos casos de espasticidade de difícil tratamento clínico.

4- Tratamento da incontinência urinária e fecal: o implante de um estimulador sacral já é prática bastante estabelecida no mundo, embora ainda pouco difundida em nosso país. Apresenta boa efetividade, com grande melhora da qualidade de vida dos pacientes com incontinência

Avanços e novas indicações

A partir da década de 90, novas indicações estão progressivamente surgindo com benefícios aos pacientes submetidos à terapia neuromodulatória, muitas já consolidadas. Como exemplo podemos citar: uso da neuromodulação no tratamento dos transtornos psiquiátricos como a depressão, transtorno obsessivo compulsivo, Síndrome de Tourrete e agressividade. Podemos também citar trabalhos em distúrbios alimentares (obesidade) e o uso terapêutico em outras síndromes dolorosas crônicas , como a enxaqueca e a cefaléia crônica diária.

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